1 de jul de 2012

Camundo: O desenho e a Sombra – Nanuka A.

postado por Caleb Henrique

Editora Underworld, 2011, 374 páginas. (Skoob) 
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Depois de fugir de um asilo de desvalidos, Camundo encontra abrigo na casa de um rico e influente ervateiro. O que poderia ser um final feliz para um menino abandonado, acaba se tornando em uma infeliz sucessão de acidentes e infortúnios. Camundo não é um menino comum; é capaz de desenhar coisas terríveis, que acontecem logo em seguida: incêndios, acidentes e crimes, entre outras temeridades. O que Camundo não sabe é que desenhos assim podem despertar interesse de gente perigosa, como uma sociedade secreta, conhecida por Asseclas do Lagarto, que está disposta a tudo para trazer um segredo milenar à tona, escondido nos corredores subterrâneos da cidade.

Avaliação: 5/5



Devo confessar que desde a primeira vez em que vi a capa e li a sinopse, ano passado, senti-me instigado e curioso com o enredo do livro, que se destaca e difere de todos os temas atuais. Algo inédito. Exatamente o que eu precisava no momento.

Em O desenho e a sombra, primeiro livro da trilogia Camundo, somos apresentados ao peculiar jovem Camundo, um garoto órfão possuidor de um curioso dom: Tudo o que desenha, acontece. De início parece ser algo maravilhoso e de fato seria se o garoto não tivesse tendência a desenhar desastres como: acidentes, incêndios, crimes, etc. Após fugir do asilo de desvalidos onde vivia é abrigado na mansão do generoso Sr. Elano. Mas o que o jovem não sabe é que seus desenhos podem despertar a atenção e interesse de uma perigosa sociedade secreta, os Asseclas do Lagarto, que como é de se prever não tornarão sua vida fácil. Também conheceremos personagens cativantes e diferenciados como, por exemplo, a cara e elementar Malini – personagem que conquistou meu coração – Cindina, Quinzinho, o velho Hans e outras tantas personagens memoráveis.

O livro possui uma narrativa gostosa, leve e confortável e por diversas me flagrei sorrindo ou de coração descompassado após algumas cenas. O objetivo é claro, ao mesmo tempo em que nos deixa dicas escondidas nas entrelinhas. Um livro com perfeitas dosagens, capazes de aquecer o coração e trazer de volta a criança esquecida. Como se fosse pouco o livro também possui ilustrações belíssimas e originais feitas pelo próprio autor. A diagramação é muito boa, exceto por algumas poucas falhas na digitação (algumas palavras juntas), que podem muito bem ser consertadas numa próxima tiragem e que em todo caso não vem a ser algo que atrapalhe a leitura ou ofusque a deliciosa escrita e criatividade do Nanuka.

Mein Gott! (Meu Deus!) Posso apenas afirmar que este é um livro daqueles que ficarão em sua memória por muito tempo e te farão implorar para o tempo passar mais depressa até que a sequência seja lançada e a tenha em mãos. E é por livros como esse que me sinto mais e mais orgulhoso de ser brasileiro.

Agora, vamos a um de meus trechos preferidos:

Camundo então empunhou o lápis que estava sobre o tampo e o grafite começou a tracejar a imagem, decalcando cada detalhe da imagem negra que tremeluzia no papel vazio. A respiração de Camundo começava a acelerar e o coração parecia querer pular do peito. O Asilo ardia em chamas. Camundo poderia dar um rumo diferente àquela visão, não desenhar as labaredas, talvez, mas não foi capaz. Queria ter certeza se aquele desenho era realmente possível e decalcou cada detalhe da sombra que corria o papel. (pág. 127)

Com isso me despeço. Com a promessa de voltar.
E como há braços, abraços.